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Como resistir ao Amor quando somos tocados por ele?

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“Davam-me grande contento todas as coisas de Deus; traziam-me atada as do mundo.”  Tinha começado há pouco tempo a ler a biografia de Santa Teresa de Jesus e, ao deparar-me com esta frase da Santa, bem como com o seu grande desejo de procurar o que é “para sempre”, algo me interpelou fortemente. Identificava-me com o que tinha acabado de ler, era como se a entendesse perfeitamente, apesar dos séculos de distância. Acho que desde então – estávamos na primavera de 2004, o Carmelo não mais saiu da minha vida apesar de nessa altura estar ainda muito longe de imaginar a porta que se começava a entreabrir e que representava o fim de uma caminhada que muitas vezes tinha feito sem ter grande consciência dela. É que as grandes obras levam tempo, andam devagar.

Não foi um percurso fácil nem linear porque, sem dúvida, foi um mudar de direcção para seguir agora pela “porta estreita”. Seguir Jesus implica sempre um deixar, sobretudo, e o que é mais difícil, um deixar-“ME”. Durante muito tempo estive ocupada com os meus próprios sonhos – ser uma boa esposa e mãe, uma profissional competente, uma cristã empenhada que, na verdade, pudesse ser sal e luz num mundo que cada vez mais precisa de cristãos que o sejam.  E os pensamentos d`Ele como estão acima dos nossos!… Mas como resistir ao Amor quando somos tocados por ele? Não o amor de que nos fala o mundo, que nos prende em vez de libertar, que nos faz centrar mais em nós do que naquele a quem amamos.

Foi este Amor que “me falou ao coração” e que me fazia vir, quase sem querer, à missa ao Carmelo e à oração de Vésperas. Jamais esquecerei como, depois de as Irmãs saírem do coro e daqueles que, como eu, tinham vindo rezar regressarem aos seus afazeres, gostava de ficar a sós com Jesus na capela, Ele todo para mim e eu toda só para Ele. Quem se deixa tocar por este Amor imenso e transbordante, compreende o diálogo incessante que então irrompe do silêncio e no qual descobrimos o sentido da nossa vida, o caminho por onde nos faz seguir e a força para o percorrer. Então, mesmo no meio de todos os obstáculos, de todas as contradições e incompreensões do mundo, também nós só poderemos dizer: “Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir” (Jer 20, 7). Eis a minha história!

Entrei no Carmelo de Santa Teresa a 19 de Março de 2005. Estava com 25 anos e tinha na altura muito mais do que alguma vez poderia ter sonhado. Sim, foi-me dado muito no mundo; mas foi abraçando esta vida de silêncio, oração e sacrifício a que Jesus me chamava que compreendi o que é participar da alegria completa que Ele nos quer fazer viver desde já. Sou feliz!

Não poderia pôr por palavras o que tem sido este tempo de caminhada. O Amor  torna a vida cheia, grande e fecunda, mesmo na intimidade do Carmelo. É dele que o mundo precisa, é a ele que cada ser humano busca; porque é ele que cura, que conforta, que renova.

Tenho aprendido a olhar e a viver as coisas triviais e repetidas do dia-a-dia, o trabalho, as alegrias e tristezas, os avanços e recuos, como graças que o Pai vai pondo no meu caminho para mais me chegar a Si. Conduz-me o pedido de Jesus – “Eis o Coração que tanto amou os homens e deles só recebeu desprezos e humilhações. Pelo menos tu, ama-Me!”, e, como a Beata Isabel de Trindade quero dizer-Lhe a cada dia: “Consome toda a minha substância para Tua glória. Que ela se destile gota a gota para o bem da Tua Igreja”.

“Pelo menos tu, ama-Me!”… É agora a minha missão. Porque só n`Ele o mundo encontrará a paz por que anseia e o nosso coração se poderá finalmente aquietar.

 

Ir. Susana Maria do Santíssimo Coração de Jesus

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