TESTEMUNHO Senti o chamamento de Deus aos 16 anos. Era uma jovem cheia de sonhos e planos para uma vida profissional e familiar. Ao participar num retiro de promoção vocacional o sacerdote que o animava disse que "Deus tem uma vocação para cada um de nós e só seremos verdadeiramente felizes se a descobrirmos e a seguirmos com generosidade". Não sei o que estas palavras causaram nos outros jovens, mas para mim foram como uma semente lançada à terra... Compreendi que o amor de Deus por mim era tão grande que desde toda a eternidade Ele tinha traçado um plano de amor e de felicidade para mim. Aceitei o desafio e comecei a procurar avidamente o meu lugar na Igreja. Todos os dias brotava espontaneamente em mim a pergunta: "Que queres de mim, Senhor?" e ia deixando que Ele me falasse pelos acontecimentos, pelo meu grupo de jovens, por pessoas experientes em questões vocacionais... Comecei por me sentir atraída pelas missões, gostava de ir para um país distaste, colocar a minha vida à disposição daqueles que mais necessitavam, mas também ali, na minha cidade de Santarém, havia muitos que precisavam de ajuda e eu, apesar de estar comprometida em varias actividades de voluntariado, não podia chegar a todo o lado. Senti-me pequenina diante do muito que havia para fazer. Lembrei-me, então, da visita ao Carmelo de Coimbra, no fim daquele retiro, e da conversa com uma irmã que respondeu às nossas muitas perguntas e nos informou que estava ali a Ir. Lúcia de Fátima. Decidi escrever-lhe a pedir a ajuda das suas orações para o meu discernimento vocacional. Qual não foi o meu espanto quando recebi uma carta dela! Falou-me da beleza da entrega a Deus e do valor da oração. Fiquei indecisa se a minha vocação era a de falar de Deus aos homens, na vida missionária, ou a de falar dos homens a Deus, na vida contemplativa. Foi-me dada a oportunidade de fazer uma experiência no Carmelo e comecei a perceber melhor a vontade de Deus a meu respeito: sendo Carmelita posso, pela minha oração, ser missionária não apenas num lugar, mas em todas as partes do mundo; posso, pela minha entrega a Deus, ajudar os sacerdotes, os missionários e toda a humanidade em geral. Descobri, finalmente, o sonho que Deus tinha para mim desde toda a eternidade! No dia em que fiz 18 anos pedi aos meus pais, como prenda, que me deixassem entrar no Carmelo, o que aconteceu no dia 2 de Agosto de 1996, precisamente 95 anos depois da entrada da Beata Isabel da Trindade no Carmelo de Dijon. Dela aprendi e continuo a aprender muito e creio que como ela posso dizer que "Achei o meu Céu na terra, porque o Céu é Deus e Deus está em mim". Agora vejo que a descoberta da minha vocação não era a meta final da minha busca, mas o início de uma aventura radical onde ganha quem dá a vida pela causa de Cristo e dos irmãos. Coimbra 14 de Dezembro de 2001
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